Dir: Neil Blomkamp

Distrito 9 é um filme estranhíssimo, no melhor dos sentidos, porque os clichês do cinema de ficção científica e de aliens são postos de cabeça para baixo, aliado a boas doses de crítica social. Joanesburgo, capital da África do Sul, se torna o destino de uma nave alienígena que fica presa na cidade. Os tripulantes, seres de aparência e hábitos grotescos, estão enfraquecidos no nosso Planeta e não demora para que o governo os enclausure numa favela. Com certeza, nunca se viu nada assim dentro do gênero. O tom inicial de documentário tanto consegue explicar toda a situação como também fazer um retrato de Wikus (Sharlto Copley), funcionário da MNU (empresa responsável por controlar os aliens), uma vez que ele se tornará o centro da narrativa por desenvolver, em contato com os seres, um vírus que o transforma em um deles. A partir disso, a busca pela sobrevivência passa a ser a luta de Wikus. Interessante é perceber como ele entenderá que isso não se aplica somente aos seres humanos.Stella (Idem, França, 2008)
Dir: Sylvie Verheyde

Stella é mais um filme que enxerga o mundo através do olhar de uma criança. Mas a despeito da inocência que esse olhar pode trazer, a garota Stella (Léora Barbara, ótima) é jogada num mundo hostil e precisa desde então lidar com os percalços de sua vida, seja na nova escola burguesa, seja no ambiente hostil de casa. Os pais, donos de bar e pensão freqüentados por delinquentes da Assistência Social, não conseguem oferecer à filha um ambiente doméstico dos mais saudáveis. Por isso, Stella, apesar de ainda pouco entender o mundo, já é testemunha da complexidade dos adultos e seus agravos. E o filme é muito sincero nesse sentido, apesar da imaturidade da protagonista. A câmera trêmula da diretora estreante pode soar clichê, mas faz todo sentido ao captar o universo sempre em desequilíbrio da protagonista. É nesse ambiente que Stella cresce, conhece a amizade, a maldade, a traição, o amor. E continua sua vida, apesar de todos os pesares.X-Men Origens: Wolverine (Idem, EUA/Canadá/Austrália, 2009)
Dir: Gavin Hood

Uma pena que esse filme carregue no título a “marca” X-Men, que rendeu uma trilogia de respeito para com a série criada pelo lendário Stan Lee (somente o primeiro dos três filmes fica um pouco atrás dos demais). E é uma pena ver o diretor sulafricano Gavin Hood (que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Infância Roubada) tendo que servir de pau-mandado de estúdio para comandar a narrativa que recria o passado de Logan (Hugh Jackman, sempre perfeito para o papel), antes de se juntar à equipe do professor Xavier. A história precisa cair nos artifícios do jogo de gato e rato e contar com aquela surpresinha no final para parecer inteligente, ao invés de conferir a complexidade necessária que o personagem possui e com a qual merecia ser retratado. O valor, aqui, é dado a um filmete de ação com (péssimos) efeitos visuais.O Solista (The Soloist, EUA/França/Reino Unido, 2008)
Dir: Joe Wright

Que decepção, Joe Wright! Depois do excepcional Orgulho e Preconceito e da ode à redenção que é Desejo e Reparação, a sensibilidade habitual do cineasta resultou na construção de uma narrativa batida que peca pela falta de emoção, justamente o que abundava nas produções anteriores. O encontro do músico superdotado Nathaniel (Jamie Foxx) com o jornalista quase-um-fracassado Steve Lopez (Robert Downey Jr.) tenta fugir dos lugares comuns dos filmes de superação, mas acaba caindo no vazio. O problema está na construção dos personagens, ambos muito frágeis e, até certo ponto, estereotipados. Steve, o verdadeiro protagonista do filme, ganha, através das atitudes estranhas de Downey Jr., um tratamento piedoso do cara que ajuda, mas precisa ser ajudado, enquanto Jamie Foxx empresta seu talento ao lunático que precisa a todo momento provar que é... lunático; a maioria de suas cenas servem para que o personagem exploda e impressione. De fato, sua interpretação é ótima, mas está presa a uma persona caricata, que é parte de uma narrativa tão frágil quanto a sanidade do músico.O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator: Salvation, EUA, 2009)
Dir: McG

Não vejo tantos motivos para desprezar a continuação da saga do Exterminador como tanta gente vem fazendo. Pelo contrário, acho que a série ganhou um filme mais preocupado em se arvorar por outros rumos, criou mais personagens, se ambienta no futuro sombrio que nos filmes anteriores só era vislumbrado e, ainda bem, não possui mais aquele argumento batido da máquina que volta do futuro para salvar/matar John Conner. Ou seja, uma bela mudança de ares, que continua entregando boas doses de ação e ainda consegue manter paralelo com a história que foi construída ao longo da série, em especial com o primeiro (e excelente) filme. Uma pena que A Salvação se acomode com essas novidades e acabe apresentando alguns problemas de roteiro aqui e ali. Mas a surpresa maior é a direção de McG que consegue manter o fôlego necessário para um filme do gênero e ainda nos dá boas cenas de ação.Brüno (Brüno: Delicious Journeys Through America for the Purpose of Making Heterosexual Males Visibly Uncomfortable in the Presence of a Gay Foreigner in a Mesh T-Shirt, EUA, 2009)
Dir: Larry Charles

Não sou dos maiores fãs de Borat, muito por conta da escatologia que toma conta do filme, apesar admitir a maestria com que o comediante Sacha Baron Cohen aponta o dedo na cara do moralismo da sociedade norte-americana, revelando um povo cheio de pré-conceitos. Por isso, as expectativas em torno de Brüno surgiam mais de uma promessa de humor negro e da carga de constrangimento que certamente viria do fashionista gay do título. Mas a narrativa, construída como em sketches, possui poucos momentos verdadeiramente engraçados, e aí, problema maior, o filme se torna apelativo e irregular (como na sequência do teste para o programa de TV ou no acordo de paz entre palestinos e israelenses ou no programa de auditório). Na tentativa de ser mais ousado e atrevido, Baron Cohen criou um personagem extremamente bizarro, mas sua narrativa ainda é frágil, apesar das boas intenções.
À primeira vista, é bastante fácil identificar Deixa Ela Entrar como um filme de suspense com vampiros. Mas aqui, a incursão do fantástico serve muito mais como um aliado para falar sobre aceitação de diferenças e ainda como uma crônica da perda da inocência precoce do jovem Oskar (Kåre Hedebrant) que se apaixona por sua vizinha, a misteriosa Eli (Lina Leandersson). Mas logo ele descobrirá que ela é uma vampira.


























































